GUERRA DE TRÓIA- PARTE 5
Nove anos de luta
 

m Áulis, no início da primeira expedição, o adivinho Calcas havia predito que Tróia resistiria aos gregos durante nove anos e que somente no décimo ano de campanha seria possível conquistá-la; mas, apesar da longa campanha, são bem poucos os episódios dos primeiros anos de guerra conservados pelos mitógrafos.

Primeiros combates

As dificuldades dos gregos começaram antes mesmo de atingirem Tróia. Quando os navios passaram pela ilha de Lemnos, Filoctetes foi picado na perna por uma serpente, durante um sacrifício. Logo se formou uma ferida putrefata que, de tão dolorosa, obrigava Filoctetes a gritar alta e incessantemente, incomodando a todos. Os átridas decidi- ram, por isso, abandoná-lo na ilha e continuar a viagem.

De Tênedo, ilhota próxima da costa troiana, uma segunda embaixada enviada aos troianos não fou bem sucedida e o exército grego então se preparou para desembarcar e atacar. O primeiro herói grego a colocar os pés em terra, Protesilau, foi morto por uma lança troiana, arremessada por Heitor, filho de Príamo e o principal defensor da cidade. O primeiro a atacar os gregos foi um dos filhos de Posídon, Cicno, aliado dos troianos, morto facilmente por Aquiles. Com isso, recuaram os troianos para dentro dos muros de sua cidade, erguidos por Apolo e por Posídon, e para trás das resistentes Portas Céias.

Os gregos acamparam na praia, entre a fortaleza e os navios ancorados, e estabeleceram o cerco. Nem os gregos conseguiam entrar, nem podiam os troianos sair para o continente, embora lhes fosse ainda possível contatar os aliados pelo mar.

As mulheres troianas, porém, saíam ocasionalmente para pegar água em uma fonte próxima das Portas Céias, perto do templo de Apolo Timbreu. Certa vez, Aquiles conseguiu se esconder por ali e emboscou dois filhos de Príamo, Polixena e Troilos. Os jovens fugiram para a cidade mas Troilos, um rapazote, embora a cavalo, foi alcançado por Aquiles, a quem Homero chamava muito apropriadamente de Aquiles "de pés rápidos" (Il. 1.84, por exemplo). Aquiles levou imediatamente o rapaz para o templo de Apolo e, antes que os troianos conseguissem mandar socorro, sacrificou-o em cima do altar. Versões tardias do mito tentaram atenuar esse ato selvagem vinculando sua necessidade a um oráculo: caso Troilos completasse vinte anos de idade, a cidade de Tróia seria inconquistável.

Do primeiro ao nono ano

Os nove anos seguintes se passaram entre assaltos sistemáticos dos gregos à cidadela, sempre infrutíferos, e ataques a ilhas e cidades vizinhas, aliadas dos troianos, em busca de mantimentos e de pilhagem.

Dentre os guerreiros era Aquiles quem mais se sobressaía e, numa dessas escaramuças, roubou o gado do troiano Enéias do alto do Monte Ida; em outra, prendeu Licáon, um dos filhos de Príamo, e devolveu-o à família mediante apreciável resgate. Muitos episódios são mal conhecidos, como por exemplo aquele em que Pátroclo, o amigo de Aquiles, foi ferido. Muitas cidades foram conquistadas, como Lirnessos, Pédasos, Lesbos e Tebas, cidade da Mísia onde reinava o pai de Andrômaca, esposa de Heitor. A mãe de Andrômaca, aprisionada na ocasião por Aquiles, foi também libertada em troca de resgate.

Durante as incursões do fim do nono ano, os gregos puseram as mãos em riquíssimo saque e em duas belíssimas mulheres, cuja posse desencadeou eventos que culminariam diretamente na queda de Tróia: Briseida e Criseida. Na divisão dos despojos, a formosa Briseida, de Lirnessos, foi dada a Aquiles, em reconhecimento pela sua capacidade guerreira; Criseida, igualmente muito bela, foi dada a Agamêmnon, pois a ele cabiam as honras devidas ao chefe da expedição.

GUERRA DE TRÓIA - PARTE 4
As expedições
 

enelau, avisado por Íris, voltou rapidamente de Creta e recorreu ao seu poderoso irmão, Agamêmnon, que convocou todos os antigos pretendentes de Helena.

Falha a diplomacia

Resolveu-se, inicialmente, tentar a recuperação de Helena (e dos tesouros que ela havia levado, é claro) por via diplomática. O próprio Menelau e Odisseu, rei de Ítaca, se dirigiram a Tróia na qualidade de embaixadores. Em algumas versões, Palamedes, primo de Menelau e filho de Náuplio, um dos argonautas, também participou da embaixada.

Em Tróia os embaixadores foram bem recebidos por Antenor, ancião troiano que tinha alguns laços de amizade com os reis gregos. Introduzidos na assembléia troiana, Odisseu e Menelau apresentaram sua petição; os troianos, porém, rechaçaram-na e a guerra se tornou inevitável.

Télefo

Héracles, a caminho da Élida para combater o rei Augias, passou rapidamente pela Arcádia mas demorou-se o bastante para engravidar Auge, filha de Aleu, rei de Tégea. Numa das versões mais conhecidas, Aleu expulsou a filha e o neto e entregou-os a Náuplio, futuro pai de Palamedes, para serem afogados. Condoído, Náuplio entregou a moça e o menino a mercadores de escravos, que venderam os dois a Teutras, rei da Mísia, região ao norte da Ásia Menor.

Na versão dos poetas trágicos Auge, após dar à luz, foi entregue a Náuplio. A criança, exposta em uma montanha da Arcádia, foi alimentada por uma corça e salva por pastores do rei Córito, que lhe deu o nome de Télefo e o criou. Já moço, Télefo matou acidentalmente os Aléadas, seus tios, e teve que abandonar a Arcádia. Orientado pelo Oráculo de Delfos, dirigiu-se à Mísia e chegou bem a tempo de ajudar o rei Teutras em uma guerra. Para recompensá-lo, o rei lhe deu a mão de Auge, que considerava sua filha adotiva. Mãe e filho, porém, reconheceram-se a tempo, graças à ajuda de Palas Atena.

Télefos herdou o trono de Teutras e, na época em que os gregos se reuniam para atacar a Ásia Menor, ele era aliado dos troianos e rei da Mísia.

A primeira expedição

A maioria dos reis gregos — ou seus poderosos filhos — ligados a Menelau pelo juramento dos pretendentes reuniu-se em Áulis, na Beócia. Agamêmnon, rei de Micenas, foi escolhido comandante-em-chefe das forças gregas.

As forças gregas se dirigiram para a Ásia Menor e desembarcaram, por engano, na Mísia. Enfrentados e rechaçados por Télefo, os gregos se dispersaram e tiveram que voltar para a Grécia. Télefo, porém, havia sido ferido por Aquiles durante a luta e sofria intensamente por causa do ferimento, que nunca cicatrizava; consultado, o Oráculo de Apolo em Pátaros, Lícia, predisse que "somente quem ferira poderia curar". Graças a isso, os gregos conseguiriam preparar uma segunda expedição.

A segunda expedição

Na Grécia, os reis estavam tentando novamente se organizar e alguns dos principais heróis estavam reunidos no palácio de Agamênon. Télefo dirigiu-se para lá, conseguiu entrar no palácio e, tomando como refém o pequeno Orestes, filho de Agamêmon e de Clitemnestra, conseguiu ser ouvido pelos inimigos; na famosa versão de Eurípides, Télefo se disfarçou de mendigo para conseguir entrar. Em troca da cura, Télefo prontificou-se a ensinar aos gregos o caminho correto para Tróia e a permanecer neutro durante o conflito. Aquiles curou a ferida, colocando nela um pouco da ferrugem de sua lança, e Télefo cumpriu sua promessa.

Segundo a tradição, os gregos conseguiram se reunir novamente em Áulis oito ou dez anos depois da primeira expedição; uma expressiva calmaria, porém, impedia a saída dos navios. O adivinho Calcas atribuiu o problema à cólera de Ártemis, ofendida porque Agamênon teria flechado uma corça dedicada a ela ou por outra razão qualquer, e disse que a deusa exigia o sacrifício de Ifigênia, a filha mais velha de Agamênon. O rei, pressionado pelas circunstâncias, teve que concordar e, logo depois do sacrifício, os navios gregos puderam finalmente velejar rumo à cidade de Tróia, que tinha fama de inexpugnável.

Além dos dois átridas, Agamêmnon (Micenas) e Menelau (Lacedemônia), os mais importantes guerreiros gregos que embarcaram para Tróia foram: Ájax "o menor", filho de Oileu (Lócrida); Ájax "o maior", filho de Télamon (Salamina); Diomedes, filho de Tideu (Argos); Nestor, filho de Neleu (Pilos); Palamedes, filho de Náuplio (Náuplio); Odisseu, filho de Laerte (Ítaca); Idomeneu, filho de Deucalião (Creta); Tlepólemo, filho de Héracles (Rodes); Aquiles, filho de Peleu e seu grande amigo Pátroclo, filho de Menécio (Ftia); Protesilau, filho de Íficlo (Tessália); Êumelo, filho de Admeto (Feras); Filoctetes, filho de Peas (Magnésia); e Macáon, filho de Asclépio (Trica).

GUERRA DE TRÓIA - PARTE 3
Páris e Helena
 

querela entre Hera, Afrodite e Atena, desencadeada pelo "pomo da discórdia" de Éris, logo envolveu dois mortais: Páris, também conhecido por Alexandre, e a belíssima Helena.

Páris / Alexandre

Pouco antes de Páris, filho mais novo de Príamo, rei de Tróia, nascer, a rainha Hécuba, sua mãe, teve um sonho profético: daria à luz uma tocha que incendiaria toda a cidade. Adivinhos aconselharam Hécuba a matar a criança, mas ela preferiu simplesmente expor o menino logo após o nascimento.

O servo encarregado da tarefa, porém, recolheu a criança e criou-a secretamente. Anos depois, já um belo rapaz, Páris se tornou pastor e protetor de rebanhos no Monte Ida, perto de Tróia (daí o nome Alexandre, "o que protege os homens"). Posteriormente, ao vencer jogos atléticos disputados na cidade de Tróia, foi reconhecido pela irmã Cassandra, que tinha dons proféticos, e aceito por Príamo e Hécuba.

Quando se deu o impasse provocado por Éris, Zeus determinou que Páris fosse o juiz da disputa e Hermes conduziu então as três deusas ao Monte Ida, onde o rapaz pastoreava os rebanhos. Cada uma das deusas prometeu proteção e favores especiais para dispô-lo a seu favor. Hera lhe daria o domínio de toda a Ásia; Atena, sabedoria; e Afrodite, o amor da mulher mais bela do mundo. Páris decidiu a favor de Afrodite e com isso selou o destino de Tróia.

Helena

A mulher mais bela do mundo era Helena, filha de Zeus e de Leda, irmã de Clitemnestra e de Castor e Polideuces. Devido à extraordinária beleza, foi raptada mocinha ainda pelo herói Teseu e levada para Atenas; foi resgatada, porém, por Castor e Polideuces, seus irmãos, pouco antes deles serem divinizados.

Helena parece ter sido, primitivamente, uma divindade laconiana da vegetação ou até mesmo uma antiga divindade indo-européia, filha do Sol. Considerá-la filha de Zeus foi, provavelmente, apenas uma forma simples de assimilar uma divindade feminina pré-helênica a uma divindade masculina indo-européia. Já sua associação a Menelau, Páris e ao ciclo troiano continua um mistério.

Tíndaro, marido de Leda e rei de Esparta, resolveu então casar a jovem. Atraídos por sua beleza, nobres preten- dentes de toda a Hélade foram a Esparta pedir sua mão. A disputa se tornou acalorada e os pretendentes estavam a ponto de se matar quando um deles, Odisseu, propôs a Tíndaro que Helena escolhesse o marido; mais ainda, os pretendentes deveriam jurar que respeitariam a escolha e socorreriam o escolhido sempre que necessário.

O rei concordou, os pretendentes fizeram o juramento e Helena então escolheu Menelau, irmão de Agamêmnon, rei de Argos (ou Micenas). Algum tempo depois, com a morte de Tíndaro, Menelau assumiu o trono de Esparta. Na época da querela das três deusas o casal já tinha uma filha de nove anos, Hermíone.

O rapto de Helena

Algum tempo depois do julgamento, Páris dirigiu-se a Esparta, tendo sido bem recebido por Menelau. Mas o rei teve de viajar até Creta, para participar dos funerais de Catreu, filho de Minos e Pasífae, seu avô por parte de mãe, e deixou o hóspede aos cuidados da esposa. Durante a ausência de Menelau, protegido por Afrodite, Páris seduziu Helena e raptou-a; ou, segundo outras versões, ela o acompanhou de livre e espontânea vontade, impressionada pela beleza e pela riqueza do troiano. De qualquer modo, Helena levou consigo escravas e tesouros do palácio e deixou a filha Hermíone para trás.

Diversas tradições míticas, tardias em sua maioria, descrevem as inúmeras peripécias de Páris durante a viagem para a Ásia; quando os fugitivos chegara a Tróia, todos ficaram deslumbrados com a beleza de Helena. Príamo e Hécuba instalaram os dois amantes no palácio, onde viveram durante muitos anos como marido e mulher, até a morte de Páris.

Iconografia e culto

Em Esparta havia uma gruta, a Gruta dos Plátanos, em que Helena era cultuada como uma divindade na forma de uma linda adolescente. No menelaion de Terapne, perto de Esparta, ela e Menelau eram cultuados como heróis pelo menos desde o século -VIII.

Helena e Páris, embora presentes em diversas obras antigas, não têm nenhum atributo iconográfico especial. Há diversas representações do "julgamento de Páris" na arte grega; são mostrados, em geral, o deus Hermes, Páris (caracterizado como um pastor) e as três deusas. A mais fácil de reconhecer é sempre Atena, graças aos seus atributos marciais.

GUERRA DE TROIA - PARTE 2
Peleu e Tétis
 

omo em muitas lendas gregas, esta história começou com um problema entre os deuses, mais especificamente Zeus, Posídon e a nereida Tétis.

A beleza de Tétis

Tétis, a mais formosa das nereidas, era cobiçada por vários deuses. A lenda diz que Posídon e o próprio Zeus estavam tão entusiasmados com ela que chegaram ao ponto de quase lutar entre si. Quando, porém, um oráculo vaticinou que o filho gerado por Tétis se tornaria mais poderoso que o pai, o entusiasmo de ambos arrefeceu. Zeus ficou tão preocupado que decidiu arranjar-lhe um marido mortal, para que de nenhum modo a atual ordem do universo se alterasse.

O escolhido foi Peleu, rei da Ftia (Tessália), filho de Éaco e neto de Zeus, por parte de pai, e grande amigo de Héracles. Era também amigo ou irmão do herói Télamon. Peleu havia sido educado por Quíron, o mais sábio dos centauros, e além de ter ajudado Héracles em Tróia, entre outras aventuras, havia participado da caça ao Javali de Cálidon e da viagem dos Argonautas.

Tétis não queria se casar e usou sua capacidade de assumir diversas formas, característica das divindades marinhas, para tentar escapar do "noivo". Peleu, porém, instruído por Quíron, não se assustou com as transformações e segurou-a com firmeza até que a deusa finalmente cedeu.

O casamento de Peleu e Tétis

Peleu e Tétis casaram-se no alto do monte Pélion em magnífica cerimônia. Os deuses honraram-na com sua divina presença, e pela última vez, estiveram reunidos com simples mortais. As próprias musas entoaram o epitalâmio (canto nupcial) e cada um dos deuses deu um presente, conforme a tradição. Posídon, por exemplo, presenteou os noivos com dois cavalos imortais, Bálio e Xanto, capazes também de falar.

Zeus, porém, não havia convidado Éris, filha de Érebo e Nix, a antiga divindade que personificava a discórdia. Mas Éris compareceu assim mesmo e lançou, diante de Hera, Afrodite e Atena, um belíssimo pomo de ouro com a maliciosa inscrição: "à mais bela".

Com esse simples gesto Éris desencadeou a acirrada disputa entre as três deusas que, mais tarde, levaria à destruição de Tróia e, nas palavras de Homero, "lançou no Hades muitas almas valorosas de heróis" (Il. 1.3-4).

Nascimento e juventude de Aquiles

Independentemente da desagradável cena do "pomo da discórdia", o casamento de Peleu e Tétis não foi bem-sucedido. A deusa abandonava freqüentemente o marido para ficar no palácio de Nereu, seu pai, e matou os seis primeiros filhos ao tentar torná-los imortais. A técnica, segundo a lenda, era perigosa: Tétis mergulhava a criança recém-nascida no fogo para que os elementos mortais, provenientes de Peleu, pudessem ser consumidos. Somente o sétimo filho, Aquiles, sobreviveu, pois o pai retirou-o a tempo do fogo.

Frustrada na tentativa de tornar Aquiles imortal, a deusa conseguiu no entanto torná-lo invulnerável mergulhando-o no Estige, rio subterrâneo que corria no Hades. Mas a nereida teve de segurar a criança pelos calcanhares, e assim essa parte de seu corpo continuou vulnerável...

Abandonado por Tétis, encolerizada com sua interferência, Peleu levou então o filho ao centauro Quíron para que o educasse. Com o sábio centauro o jovem Aquiles aprendeu, além das artes guerreiras, a medicina.

Peleu, ciente de que seu filho morreria caso participasse da guerra de Tróia, procurou evitar sua morte obrigando-o a ir para a corte do amigo Licomedes, soberano da Ilha de Squiros. Licomedes vestiu Aquiles de mulher e escondeu-o nos aposentos das mulheres, mas isso pelo menos não o impediu de se unir a Deidâmia, filha do rei, e gerar um filho chamado Neoptólemo. A despeito de todos os cuidados, no entanto, anos depois Aquiles e também Neoptólemo teriam papéis decisivos na conquista de Tróia.

Iconografia

Há diversas representações, notadamente em vasos, da cena em que Peleu agarra firmemente a deusa Tétis, que tenta inutilmente se desvencilhar. Muitos vasos mostram também Peleu entregando o jovem Aquiles a Quíron.

GUERRA DE TROIA - PARTE1
A Guerra de Tróia
 

Guerra de Tróia é um dos episódios que compõem o Ciclo Troiano, nome tradicional do complexo conjunto de lendas relacionados à conquista e destruição da cidade de Tróia por uma coalização de povos helênicos. Discute-se, ainda, a possibilidade da lenda ter algum fundamento histórico ou não; de qualquer forma, tanto a tradição como os arqueólogos e historiadores situam a legendária, rica e próspera cidade de Tróia (ou Ílion) a noroeste da Ásia Menor, perto do Helesponto.

Dárdano, tido por ancestral dos reis troianos, era filho de Zeus e de Electra, uma das Plêiades; reinou em toda a região, chamada de Dardânia em sua homenagem.

Dárdano
                        |
                    Erictônio
                        |
                       Trós                                                
                        |
               +--------+--------+
               |                 |
              Ilo             Ganimedes
               |
           Laomedonte
               |
     +---------+---------+----...
     |         |         |
  Titono    Hesíone    Príamo

Ganimedes, um dos amores de Zeus, era filho de Trós, que deu nome à Tróade (um outro nome da região). Ilo, irmão de Ganimedes, fundou a cidade de Tróia perto do monte Ida. Segundo a lenda, as muralhas foram construídas por Apolo e Posídon durante o reinado de Laomedonte, famoso pelo não cumprimento de suas promessas e também por se dar mal em razão disso. Títono, um de seus filhos, foi amado por Eos, a aurora; a filha Hermíone participa da lenda de Héracles.

Na época da Guerra de Tróia, a cidade estava no apogeu. Seu rei, Príamo, casado com Hécuba, tinha enorme quantidade de filhos e filhas (14, 19 ou 50, conforme a versão). Segundo a lenda, um deles, Páris, foi a causa imediata da guerra: raptou a belíssima Helena, esposa de Menelau, rei de Esparta, e foi se refugiar com ela em Tróia. Para vingar a afronta, Menelau e seus aliados atacaram a cidade e, após anos de cerco, arrasaram-na, mataram quase todos os habitantes e recuperaram a fugitiva.

[ ver mensagens anteriores ]